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Histórias de Vendedor…

Alguns produtos da década de 80

Alguns produtos da década de 80

Nos anos 80, aquela era a empresa mais poderosa daquele segmento de mercado. Vendia muito, consumia muito. Possuía a melhor marca, a melhor distribuição, as melhores propagandas, o melhor produto… Era um sonho de consumo para as crianças por sua linha de produtos sensacional e também era um sonho de consumo para os vendedores de insumos para aquele segmento da industria alimentícia. Principalmente em um de seus principais insumos – Gordura Vegetal Hidrogenada.

Eu iniciava a minha carreira em vendas, com meus 25 anos de idade e poucos meses de área comercial. A carteira de clientes para as gorduras especiais que vendia, incluía esse ícone da Industria de Alimentos Nacional. A empresa que todos queriam como cliente, o maior consumidor, a empresa que criava as relações de longo prazo e de valor agregado. Não havia nenhum negócio com eles… estávamos “virgens” em vendas para essa empresa… minha missão era virar o jogo, tão logo quanto possível.

Meu Gerente era um obstinado. Como excelente relações públicas, conhecia todos as pessoas dessa empresa e havia iniciado um trabalho de aprovação dos nossos materiais para consumo antes de minha chegada para o atendimento. Especificações prontas, tudo aprovado, faltava acertar a parte comercial, o próximo passo. Era um exemplo clássico do ritual da venda complexa B2B em pleno funcionamento.

Chico, esse era o meu chefe, me levou para visitá-los e fazer a apresentação oficial do novo Vendedor Técnico Industrial que iria atendê-los. Eu, aquele garoto saído da Engenharia de Alimentos diretamente para o mundo comercial das relações B2B entre as maiores corporações globais de alimentos, estava um tanto tímido, mas muito entusiasmado com a novidade.

Visite o seu cliente!!

Visite o seu cliente!!

Chico afirmava entusiasticamente: “Você deve visitar regularmente os clientes. Eles não vão comprar na primeira ou segunda visita, mas se você continuar visitando, eles um dia vão comprar de você. Seja persistente.” Uma outra máxima que vinha regularmente das conversas com o Chico, era: “Fique consciente, atento e de olhos bem abertos; porque nos menores detalhes e em situações não esperadas é que pode estar a sua chance! Em uma visita de vendas, tudo o que acontece é importante! – Se liga, garoto!”

D. Marília (nome fictício) nos recebeu em sua sala. Uma senhora em seus mais de 30 anos de experiência como compradora. Uma simpatia e uma seriedade intocável nas relações comerciais. Fui apresentado a ela formalmente pelo Chico, que acrescentou um toque familiar pedindo a ela que me “ensinasse” como ser um bom vendedor para uma excelente compradora como ela… D. Marília limitou-se a sorrir e me desejar boa sorte, passando imediatamente a cobrar melhores preços para os produtos da nossa empresa. “Dessa forma, vocês nunca vão entrar! – dizia ela para o Chico – Seus produtos são absolutamente mais caros que a sua concorrência, não consigo ajudá-los! Vocês é que precisam me ajudar a tê-los como fornecedores.”

Chico também sorria e argumentava sobre os benefícios de nossos produtos, e sobre o benefício que essa grande empresa teria de não comprar apenas de nosso concorrente – um gigante da área de gorduras e óleos… Quase um monopólio. Quando falava sobre isso, recebia de volta o sorriso simpático daquela senhora elegante, firme e experiente. “Sim, eu gostaria de tê-los como fornecedor alternativo, mas preciso de sua ajuda para isso.” Assistir a esse “embate de Titãs” era um privilégio para mim. Recordo cada palavra e cada gesto dos dois mestres. Era como uma dança coreografada, como um duelo especial, onde mais valia o efeito visual e sonoro das espadas reluzentes em seu bailado, do que propriamente se haveria um golpe fatal proveniente de algum dos jogadores.

Diálogo de Mestres

Diálogo de Mestres

Tomamos o nosso café de despedida, já com todos os dados sobre volumes consumidos, aprovações técnicas já feitas e nenhuma informação concreta sobre preço referência ou condições comerciais interessantes para poder guiar a nossa tática de entrada. D. Marília despediu-se com um “Até logo, Sergio, venha me visitar sempre, mas traga bons preços!”

Visitei essa empresa em todas as semanas durante mais de 3 meses. Sempre a mesma história. Muita gentileza, nenhum negócio, nenhuma informação segura para que pudéssemos nos mover em relação à concorrência com mais segurança. Os preços de gorduras consideradas commodities nessa época eram conhecidos no mercado, sabíamos do preço médio de mercado, mas aparentemente as condições desse grande comprador eram extremamente especiais junto ao nosso principal concorrente- seu fornecedor exclusivo.

I love my clients

Depois de mais de 10 visitas de idas e vindas de preços e condições, D. Marília já conversava sobre vários assuntos comigo. Soube que ela estava próxima da aposentaria, que gostaria de mudar-se para o interior para curtir os seus netos. Fiquei também encantado com suas historias sobre os tempos heroicos em que ela comprava auto-peças para a DKW, tempos muito diferentes e difíceis, uma vez que uma empresa nacional de automóveis fazia barulho e incomodava os gigantes do setor. Eu fazia muitas perguntas e ela contou-me alguns detalhes sobre como era familiar o ambiente de negócios naquela época e de como eram os fechamentos de negócio, com base em confiança, relações pessoais fortes, ajuda mútua e contratos de “fio-de-bigode”. Também contou-me sobre a pressão das empresas gigantes sobre aquela pequena notável de automóveis que culminou com a venda da Companhia para a Volkswagen. Seus olhos ficavam brilhantes quando falava sobre o time de trabalho excelente que aquela “família” alcançou ser.

Ficamos “quase amigos” pois creio que D. Marília acabou adotando uma posição de “tutora” e conselheira para aquele pobre jovem vendedor que representava uma empresa que não conseguia ter preço adequado para fornecer para a empresa que ela representava…

Vale dizer que nessa altura das visitas,  já  havia perguntado muitas vezes uma referência de preço do concorrente para balizar nossa proposta, e D. Marília sempre “ralhava” comigo: “Menino, isso eu não te diria nunca! É uma informação confidencial.”

Um dia, em combinação com o Chico, apelei, avisando D. Marília que iria ser substituído em seu atendimento, pois o Chico estava cansado do custo de minhas visitas e da falta de negócios entre as duas empresas. Ela sorriu. Disse apenas que achava uma pena porque eu estava indo bem como vendedor.

Na visita seguinte, algo diferente aconteceu. D. Marília sempre me recebia em sua sala, com sua mesa limpa de papéis e sua ordem impecável e austera. Neste dia, sua secretária pediu-me para entrar na sala e a aguardar, pois ela estava terminando uma reunião com o seu Diretor e desceria em seguida para me atender. Um pouco surpreso, pois isso era anormal, entrei na sala e me acomodei na cadeira de visitantes.

surpresa-boa

Passaram-se alguns minutos em que eu divagava mentalmente sobre nada, até que me chamou a atenção que a mesa de D. Marília desta vez não estava vazia. Entre cadernos e uma calculadora, havia uma planilha caprichosamente desenhada deixada displicentemente aberta no centro da mesa. Agucei os olhos e verifiquei atentamente que a planilha enumerava todos os preços dos concorrentes (inclusive o nosso preço) de uma forma caprichosa, lado a lado, em cores diferentes fazendo uma comparação… Meu coração pulou pela boca! Não podia acreditar no que via.

D. Marília entrou na sala após alguns minutos mais, desculpou-se pela demora com o seu bom dia gentil e calmamente recolheu a planilha, a calculadora e os cadernos, guardando-os em sua primeira gaveta da escrivaninha. Passou a conversar naturalmente comigo e pediu para falar com o Chico, pois achava que era um absurdo nossa empresa não conseguir chegar a um termo correto para fornecer aquele item. Falamos sobre amenidades, mostrei a ela nossa nova oferta para as próximas cargas de gorduras – e ela novamente indicou que nossas condições ainda não eram boas. Tomamos café e fui embora.

Voltei para o escritório exultante e fizemos um milhão de contas depois de entender as condições especiais que aquele enorme comprador de gorduras possuía… Realmente eram condições muito especiais, mas com os volumes e com a garantia de fornecimento por um período correto, havia condições de acompanhar e iniciar o nosso fornecimento! Pudemos finalmente elaborar a proposta de forma correta. Chico conseguiu a aprovação das novas condições com o Diretor de nossa Divisão e elaboramos enfim o nosso bilhete de entrada para aquele fornecimento.

Voltei na semana seguinte com uma oferta completamente diferente, balizada pelas informações mais completas, muito mais ousada e devidamente aprovada para que pudéssemos entrar como fornecedores regulares para a empresa de D. Marília.

Ela ouviu a proposta silenciosamente, fez algumas contas mentalmente, sorriu e disse: “Vamos programar então algumas entregas já para a próxima semana. Agora você chegou onde deveria com as suas novas condições.”

negocio fechado

À partir dessas primeiras entregas, ficou claro o posicionamento de preços e condições para aquela empresa e passamos a dividir o fornecimento daquele importante insumo com o nosso principal concorrente.

D. Marília ficou feliz ao desenvolver seu fornecedor alternativo com parâmetros comerciais adequados e, de nossa parte, foi possível otimizar todos os preços de toda nossa linha de produtos, porque aquele fornecimento massivo nos dava um custo de fábrica muito mais adequado devido à massa critica que nossa produção alcançava então.

Foi um grande negócio, muito estratégico para o desenvolvimento dos negócios de nossa empresa nos seguintes anos.

Na próxima visita, Chico estava comigo para agradecer D. Marília sobre a sua paciência a respeito daquele novo vendedor. Disse também que estávamos muito orgulhosos ao finalmente iniciar o relacionamento comercial com eles. Recebemos novamente o tradicional sorriso educado de D. Marília: “Chico, ele é um bom garoto, observador e atento, além de gentil. A suas vendas aqui foram conquistadas por ele. Acho que fará uma boa carreira em vendas!”

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Obrigado D. Marília e obrigado Chico!! Mestres queridos da arte da compra e da venda industrial.

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24/08/2015 at 12:08 2 comentários

O Futuro Chegou – 10 tendências da era Pós-Industrial em acordo a Domenico de Masi

Tive a felicidade de participar na semana passada de uma interessante palestra do Professor Domenico de Masi como parte do programa do REFLETIR BRASIL, iniciativa da Consultoria OCA REFLETIR BRASIL com a participação da Consultoria S3.STUDIUM, da Itália.

Em 2015, o tema do encontro foi UTOPIA E REALIDADE, com foco na qualidade de vida e no trabalho produtivo, de acordo com as exigências da era Pós-Industrial. A programação foi extensa e interessante, e um manifesto (resultado das diversas discussões, será publicado em breve no site: http://www.refletirbrasil.com – vale conferir.

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O evento foi aberto com a palestra do Professor Domenico de Masi, uma espécie de “patrono” deste fórum. Animadíssimo e de muito bom humor; apesar do incessante ruído que brotava dos corredores do IED (Instituto Europeu de Design) em Higienópolis – São Paulo; o Professor De Masi brindou a platéia com uma interessante aula de sociologia sobre os períodos Pré-Industrial, Industrial e Pós-Industrial.

Sempre com sua perspicácia (que transparece em todas as suas obras, desde o best-seller “O Ócio Criativo” até o grosso volume chamado “O Futuro Começou”, De Masi foi driblando a precariedade da tradução simultânea do Italiano para o Português e o desconforto do auditório improvisado na bonita área de convivência da Escola. Alertou os Brasileiros sobre a grandeza do papel do país no cenário mundial com dados e brincadeiras inteligentes, sempre irreverente e preciso em suas observações.

Domenico De Masi

Domenico De Masi

De Masi discorreu sobre as características do Pós-Industrial, comentando suas bases intrínsecas, seus benefícios e mazelas. Ele fala com o otimismo daqueles que chegam a sua idade com tanta lucidez e consciência. Em hora e meia, deixou uma lição de claridade, atenção, alegria e perspicácia. Acredito que parte de sua palestra foi um curtíssimo resumo de sua obra bastante profunda chamada “O Futuro Chegou” – tradução de Marcelo Costa Sievers, 1a. edição, Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2014, 768 pgs. Depois, acrescentou suas previsões de futuro e seus conselhos para obter sucesso neste mundo mutante em que vivemos.

Para De Masi, existem 10 tendências para o mundo pós-industrial. Em acordo ás minhas anotações durante a sua palestra, podemos enumerá-las da seguinte forma:

TENDÊNCIA 1 - A LONGEVIDADE

TENDÊNCIA 1 – A LONGEVIDADE

1) LONGEVIDADE:

Seremos 8 bilhões de pessoas em muito pouco tempo. Além disso teremos mais de 1 bilhão de pessoas no mundo com mais de 65 anos e, além de tudo, vivendo com qualidade e felicidade; sendo muito produtivos. Nunca tivemos tanta “massa cerebral” experiente e bem formada sonhando e idealizando um mundo melhor! Novas idéias e visões virão. Teremos muitos benefícios como consequência desta tendência.

TENDÊNCIA 2 - TECNOLOGIA

TENDÊNCIA 2 – TECNOLOGIA

2) TECNOLOGIA

A velocidade já estonteante dos avanços tecnológicos em todas as áreas continuará a se multiplicar. Estaremos muito mais conectados, nossos corpos receberão avanços inimagináveis no campo da medicina e da farmácia, os chips estarão infinitamente mais rápidos, conviveremos com a inteligência artificial e com a interação real entre o homem e a máquina. O mundo será um lugar bastante pequeno e acessível e a telefonia móvel estará avançadíssima comparada com o que temos atualmente.

TENDÊNCIA 3 - ECONOMIA E DISTRIBUIÇÃO DE RENDA

TENDÊNCIA 3 – ECONOMIA E DISTRIBUIÇÃO DE RENDA

3) ECONOMIA:

Até 2030 o mundo terá crescido ao redor de 160% em comparação a 2015. Apesar disso, se o modelo social não se alterar a respeito do domínio do neo-liberalismo (sic), teremos uma maior concentração de riqueza que pode nos levar a consequências catastróficas, com o recrudescimento dos conflitos e das guerras emanadas desta situação de profunda desigualdade. A China será enorme e dominante, o modelo de capitalismo chinês será a nova tônica do mundo produtivo.

TENDÊNCIA 4 - TRABALHO

TENDÊNCIA 4 – TRABALHO

4) TRABALHO:

A produtividade aumentará exponencialmente nos próximos anos. Os horários deixarão definitivamente a divisão entre trabalho e lazer – estremos conectados 24 horas por dia – trabalhadores full time e full place. Teremos também, como consequência da enorme produtividade, um crescente número de “NEETS” (not engaged in education, employment or training). O fenômeno do consumo sem produção será muito maior. A China será a “fábrica” do mundo e a Índia será o “escritório” do mundo; em um fenômeno global de terceirização e trabalho em rede globalizada.

TENDÊNCIA 5 - LAZER

TENDÊNCIA 5 – LAZER

5) LAZER

O tempo livre das pessoas aumentará muito. É necessário iniciar a formação das pessoas sobre o uso de seu tempo livre do ponto de vista da curiosidade intelectual e cultural. Como será possível evitar o tédio, a violência e as drogas? Será preciso emprestar para o restante do planeta o conhecimento que tem o Brasil (e também a Itália e os demais países latinos) sobre rir mais e promover a prosperidade cultural de forma natural e constante.

TENDÊNCIA 6 - UBIQUIDADE E PLASMABILIDADE

TENDÊNCIA 6 – UBIQUIDADE E PLASMABILIDADE

6) UBIQUIDADE E PLASMABILIDADE

Em 2020 seremos uma única praça conectada contendo todo o ódio e o amor do planeta. Poderemos entrar em contato com qualquer pessoa, em qualquer ponto do planeta utilizando os mais diversos aparelhos tecnológicos. Correremos o risco de ficarmos muito obesos devido a falta de movimento, uma vez que tele-aprenderemos, tele-amaremos, tele-nos divertiremos, etc. Também poderemos sofrer com a falta de contato real com nossos semelhantes, uma vez que o virtual será o dominante em todas as relações.

TENDÊNCIA 7 - ÉTICA E ESTÉTICA

TENDÊNCIA 7 – ÉTICA E ESTÉTICA

7) ÉTICA E ESTÉTICA:

A qualidade funcional será um valor comum e obrigatório para qualquer produto; a vantagem competitiva estará centrada em valores éticos e estéticos. As marcas estarão preocupadas em serem reconhecidas como confiáveis e honestas, além de esteticamente perfeitas. Isso será tarefa bastante crítica em uma sociedade globalmente conectada e veloz. A reputação ética dos indivíduos será a base da sociedade de serviços. Assim como a sociedade industrial foi mais honesta e menos violenta do que a sociedade rural; a sociedade pós-industrial será mais honesta e menos violenta que aquela industrial. Portanto, os bens sucedidos serão os homens de bem. Para os atuais “falsos homens de bem” será muito difícil ter uma vida oculta, já que o conceito que temos de privacidade será aos poucos extinto pela exposição maciça e constante provocada pela conectividade crescente.

TENDÊNCIA 8 - EQUILÍBRIO

TENDÊNCIA 8 – EQUILÍBRIO

8) EQUILÍBRIO:

O mundo estará mais rico e mais desigual, o que acarretará muitos conflitos. A competitividade e a necessidade de um novo modelo forçará o desenvolvimento exequível, baseado no planejamento ecológico, econômico e social. A sustentabilidade deverá ser a tônica do sucesso, gerando um mundo mais consciente e equilibrado do ponto de vista do consumo e do conceito de felicidade. Essa tendência anda de mãos dadas com a tendência 7 da ética e estética. Para obter vantagem competitiva, além de belo e ético, deverá ser também sustentável de forma comprovada.

TENDÊNCIA 9 - CULTURA

TENDÊNCIA 9 – CULTURA

9) CULTURA:

A cultura digital vai superar a cultura analógica. Todos estarão conectados e todo o conhecimento estará disponível em um átimo de segundo. O grande desafio será a distribuição – de poder; de saber; de oportunidades; etc. A cultura será globalizada, o local dando colorido ao global. O global superará o local.

TENDÊNCIA 10 - ANDROGENIA

TENDÊNCIA 10 – ANDROGENIA

10) ANDROGENIA:

Em 2020 muitas mulheres terão um filho sem ter um marido; além de dominarem os aspectos masculinos que as escravizaram pelos últimos 10 mil anos. Elas irão gerenciar o poder com a dureza aprendida em seus tempos de submissão e estarão exatamente no centro do sistema social. Os valores hoje considerados femininos (estética, subjetividade, emotividade, flexibilidade) serão também dominados pelos homens. Ambos irão compartilhar a produção e os cuidados humanos. A androgenia irá prevalecer nos estilos de vida.

Além dessas previsões, Domenico de Masi também diz que o Brasil tem muito a ensinar ao mundo. Isso baseado em suas teorias sobre o ócio criativo e o novo modelo de sociedade que vislumbra para o futuro bastante próximo. Em meio a tanta desconfiança e desânimo sobre o modelo Brasileiro de sociedade, as palavras do professor parecem alertar a tomada de consciência sobre as oportunidades que temos em nossas mãos – agora mesmo!

brasil futuro

Em seu livro, De Masi explica o Brasil atual e sua confusão: “A contaminação consumista do modelo estadunidense já conquistou muitos aspectos da vida urbana brasileira e triunfa também no mundo dos negócios, monopolizado pelo pensamento, pelos mestres, pelos livros de negócios das business schools bostoniana e californiana. A isso deve ser acrescentada a tentação de ceder às obtusas exigências do mercado externo que inúmeras vezes solicita os piores aspectos da brasilidade: o excesso cromático e sonoro, a sensualidade desregulada, o exotismo provinciano, a dissipação do patrimônio natural, a que podem acrescentar-se a falta de autoestima, xenofilia, o escasso sentido do público, o recurso à astúcia como substituta da inteligência, a pouca confiabilidade.”

Indo além afirma: “Porém, não obstante o traço colonizador da Europa e dos Estados Unidos, o Brasil permanece o Brasil e os aspectos originais e melhores da brasilidade continuam a prevalecer sobre os importados e negativos.”

De Masi discorre sobre as palavras de Oscar Niemeyer a respeito da flexibilidade necessária para olhar o mundo. “Viva a curva!” diz o arquiteto, sublimando os aspectos flexíveis da sensualidade, da natureza traduzida nas formas das nuvens, nas curvas do mar e das montanhas e mulheres do Brasil. Conclui De Masi que este estilo de vida; e de maneira de olhar e compreender o mundo; é o que o Brasil tem como legado para toda a humanidade da era pós-industrial.

Complementando sua palestra, veja os “conselhos” deixados por De Masi para prosperar como indivíduo na nova era pós-industrial:

1) Reduza sua resistência a mudanças

2) Incentive o seu espírito criativo

3) Exercite sempre a liderança carismática

4) Envolva a todos na missão

5) Conjugue global e local

6) Cuide muito e sempre da estética de todos os lugares e coisas

7) Cuide sempre do comportamento ético e da gentileza em todas as suas ações

8) Dê sempre sentido a tudo que você faz

Um palestrante ilustre, inteligente e inspirado; com idéias positivas e incentivadoras. Como anda sua consciência para a era pós-industrial?

04/05/2015 at 21:28 10 comentários

Como você pode realizar a tarefa de vender – sem se vender?

buda

A grande nuvem chove sobre todos os seres, sejam de natureza superior, sejam de natureza inferior.

                                                                                                                                             – Sutra do Lótus 5

“Os vendedores é que fazem chover em suas empresas. Os fazedores de chuva têm sua dança mágica, levando chuva nutritiva para que seus negócios cresçam. Não cabe a eles julgar, apenas servir.

Para que a dança do fazedor de chuva seja eficaz, são essenciais a atenção, o interesse e a bondade que tem para com seus clientes. Se ele é sábio e compassivo (e lembre-se de que essas são as duas grandes virtudes do budismo), ele não faz visitas de vendas – faz visitas de atendimento. Ele sabe que sua tarefa principal consiste em ajudar seus clientes a terem mais sucesso – seu trabalho é proporcionar o que seus clientes necessitam. Quando ele faz chover bondade sobre o seu cliente, seu cliente faz chover reconhecimento, na forma de dinheiro, para o fazedor de chuva e sua empresa. Nesse modelo de negócios movido por valores, servir aos outros é fundamental, e o dinheiro é o subproduto do serviço proporcionado.

O fazedor de chuva que não se posiciona com a mente certa – ou seja, a mente do Buda – perde de vista a essência dos negócios. Esse vendedor pensa que a meta é extrair aquilo que pode de seus clientes; ele fez do dinheiro um objeto de veneração, e fará qualquer coisa para obtê-lo. Esse fazedor de chuva vendeu sua alma em troca do sucesso, mas na verdade não terá sucesso algum. Os clientes são astutos e, mais cedo ou mais tarde, vão perceber que ele não está nem um pouco interessado em servi-los; está simplesmente interessado no que pode conseguir deles. É provável que seus clientes troquem de vendedor, se puderem, preferindo fazer negócios com um que se importe sinceramente com suas necessidades.

O fazedor de chuva que é sábio e compassivo incorpora essas virtudes até no ato de venda. Parece estranho? É que desassociamos falsamente a virtude do mercado. Com efeito, vender bens ou serviços que você sabe que são úteis é algo sábio. Vendê-los a pessoas que podem realmente se beneficiar deles é compassivo. O mesmo se aplica à fala correta, que transmite algo verdadeiro e útil ao mesmo tempo. Aqui, temos vendas corretas, a venda de algo que é inofensivo e útil para a pessoa certa. Essa é a base de uma economia budista.

Fonte: “O Buda e o Executivo”, F. Metcalf e B.J. Gallagher, editora Cultrix, São Paulo, 2014, pg. 38,39

o buda e o executivo

Fonte: “O Buda e o Executivo”, F. Metcalf e B.J. Gallagher, editora Cultrix, São Paulo, 2014, pg. 38,39

06/02/2015 at 11:17 Deixe um comentário

A base das relações interpessoais…

Veja o artigo anexo sobre Inteligência Emocional:

http://autoayudapractica.com/10-habitos-de-la-gente-con-alta-inteligencia-emocional/

child-namaste

30/07/2014 at 17:58 Deixe um comentário

“TER Humano” ou SER Humano?

modernidade

Que barulho ensurdecedor esse tilintar da mudança sem fim de um bolso para o outro.

Grito dos telefones e alarmes, visor gigante dando cotações cada vez mais rápidas e vorazes. Que vozes alteradas em busca da melhor oferta!

Caos provocado e vício da adrenalina fácil; lucros e perdas incessantes, galopantes, alucinantes. Espiral do mais e mais.

Reúne todos e tudo, arrebanha incautos e os transforma em adeptos praticantes – frenéticos.

Explora de forma universal, como se o mundo fora ilimitado. Exaure o espírito humano e a Mãe Terra – suja, corrompe, separa e segrega.

capitalismo

Alcança milagres em realizações e obras inacreditáveis – chega na excelência em tecnologia – ao mesmo tempo em que torna a vida um deserto inóspito. Tudo – mero recurso.

É a lógica do “ter humano”, antiga como a Revolução Industrial. Cruel como não se importar com os meios para se obter o fim.

Sustentável como uma bolha de sabão ao vento, paradoxal, sem futuro, mas com atração irresistível – Sereia contemporânea.

Valores ancestrais de vida e prosperidade não aceitam papel secundário. Não se sabe de onde, o tripé da evolução social, ambiental e econômica sorrateiramente instala-se. Ao mesmo tempo o ruído do “ter” reverbera mais intenso.

Tripé para a Sustentabilidade

Surda mudança. Lenta, sofrida, tênue e forte. O tilintar vai se tornando vazio, irreal, deslocado. Por isso cada vez mais alto e violento – como um animal acuado.

Aos poucos toma corpo uma nova ordem – sem se importar com a incessante criação de caos que alimenta o status quo do “ter mais”. Reverbera uma nova dimensão onde “ter” não pode estar desacompanhado de dividir e proteger.

Perde o sentido obter os fins sem se importar com os meios. Lembra Buda apontando o caminho certo, onde o equilíbrio promove mais prosperidade.

O Mundo Sustentável

Os meios utilizados passam a ser fundamentais e realmente importantes para a qualidade do “ter”. Que brado surdo se escuta em nosso planeta neste instante!

Homens e comportamentos são profundamente transmutados – surge o verdadeiro “Ser Humano”, que acorda de seu sono do “ter” cada vez mais sem se importar com nada mais.

A Mãe Terra não mais “recurso”, mas verdadeira mãe acolhedora em seu ancestral caminho giratório.

Uma nova figura no horizonte. Um ser sustentável; balanço equilibrado entre ter, socializar e proteger o ambiente. Sem volta; aquilo que não tem mais sentido de outra forma.

O Homem Vitruviano de Leonardo da Vinci

O Homem Vitruviano de Leonardo da Vinci

O “Ser Humano” desperta de um longo pesadelo em meio a um novo barulho mais ensurdecedor ainda do “Ter Humano”!

Esperneio de morte certa – e próxima.

A nova planta perene invade o ambiente cibernético das bolsas de valores – se não for sustentável não terá valor.

Importa hoje realmente “Ser”.

“Ter” – apenas mera consequência possível.

setup pequeno

 

 

 


  sergiotango8@gmail.com

04/05/2014 at 23:29 1 comentário

Prisão Mental

Prisão Mental

Prisão Mental

 

Excelente artigo de Marcos Rezende:

 

http://www.insistimento.com.br/5-algemas-da-classe-media/

Não deixe de ler.

abraços,

Sergio Tango

31/03/2014 at 18:08 Deixe um comentário

Conferências Telefônicas – Armadilhas e Artimanhas

Imagem

Estamos em uma idade virtual, onde a troca do pessoal pelo distante não é opção, é realidade. Neste complexo, distâncias físicas desaparecem na facilidade do toque e do contato instantâneo, invasivo, até.

E assim, conferências telefônicas são instrumento de trabalho em substituição a longas jornadas e reuniões, na facilidade do imediato, no conforto do qualquer lugar serve.

O mundo do agora é racional. Esse contato instantâneo muitas vezes é considerado como suficiente para substituir totalmente o que antigamente (muito antigamente nos padrões de hoje) era feito apenas com o contato pessoal, frente a frente, olhar cruzando olhar, movimento interpretado como linguagem. Por vezes é esquecido que esta linguagem nova tem suas próprias singularidades e deve ser elaborada de forma profunda como era elaborado profundamente o contato direto e pessoal no passado não tão assim distante…

Surgem confusões e enganos. Atropelos e simplificações; más interpretações e vícios. Acredito que devemos reaprender o contato com estas ferramentas instantâneas. Reaprender como aprofundar relações interpessoais assim, à tanta distância…

A tecnologia e a mente racional voam a velocidade da luz, mas as verdades sobre como se relacionar com o outro seguem presentes, muito presentes, desviando um pouco a tão sonhada produtividade que a tecnologia nos trás.

Como são suas conferências telefônicas?? Por favor, assista ao vídeo anexo antes de responder.

http://www.youtube.com/watch?feature=youtu.be&v=DYu_bGbZiiQ&desktop_uri=%2Fwatch%3Fv%3DDYu_bGbZiiQ%26feature%3Dyoutu.be&app=desktop

31/01/2014 at 15:45 Deixe um comentário

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